Na verdade, este é um assunto já bem batido, mas o PoPa não tinha dito nada sobre ele antes. E por que? Bem, em primeiro lugar, o PoPa nunca fez clipping direto ou poucas vezes fez o tal "corta e cola", sempre indicando a fonte.
Os tais agregadores de conteúdo citados na Declaração são, nada mais, nada menos, uma versão moderna dos velhos clippings xerografados que ainda circulam em praticamente todas as grandes empresas e todas as repartições públicas. Ou seja, enquanto estava somente entre os tais "formadores de opinião", tudo bem? Quando chega ao povo que tão somente tem a internet e não o acesso privilegiado das repartições, aí fica ruim?
Esta tal Declaração é muito sobre o politicamente correto. Que as empresas jornalísticas invistam pesado na mídia de internet, que terão espaços publicitários gordos e de grande retorno.
Blogs interessantes, dificilmente copiam integralmente as matérias jornalísticas. Por exemplo, sempre que o PoPa lê algo interessante em um blog que cite uma revista ou jornal, ele busca o link original, para saber detalhes da própria fonte. E, claro, está ao alcance da publicidade que lá se encontra. Talvez por isso mesmo, o PoPa não faz citações integrais, mas apenas das partes interessantes, com o devido link para seus parcos leitores poderem - se quiserem - ler a notícia original.
O PoPa não lê o conteúdo exclusivo dos assinantes da Folha. Aliás, acho que nem os assinantes, pois eles já estão lendo o tal conteúdo no papel... Mas até pagaria, desde que o valor fosse compatível com uma mídia que não tem custo de papel, impressão e distribuição. O que acontece atualmente, é que estas empresas querem valores praticamente iguais aos do jornal impresso... aí não tem negócio!
A DECLARAÇÃO DE HAMBURGO
A internet é uma grande oportunidade para o jornalismo profissional - mas apenas se se mantiver o equilíbrio econômico-financeiro das empresas jornalísticas nos novos canais de distribuição digitais. Não é o que acontece atualmente.
Vários agregadores de conteúdo utilizam obras de jornalistas, editores e empresas jornalísticas sem pagar por este uso. [sim, sempre o fizeram! Afinal, o que são os clippings que circulam até nas redações?] No longo prazo, esta prática põe em risco a criação de conteúdos de alta qualidade e o próprio jornalismo independente. [Por que?]
Por este motivo, precisamos melhorar a proteção da propriedade intelectual na internet. O acesso livre à web não significa necessariamente acesso livre de custos. Discordamos dos que afirmam que a liberdade de informação só será obtida com todos os conteúdos gratuitos. [Gratuitos? E a massa de publicidade que acompanham TODAS as páginas dos jornais? Gratuitos seriam se não houvessem estas publicidades...]
O acesso universal aos nossos serviços deverá estar disponível, mas não queremos ser obrigados a ceder a nossa propriedade sem autorização prévia.
Assim sendo, consideramos necessárias e urgentes medidas para a proteção dos direitos autorais de jornalistas, editores e empresas jornalísticas na internet.
Não devem existir zonas da internet onde as leis não se aplicam. Os governos e legisladores, em nível nacional e internacional, devem proteger mais eficazmente os conteúdos intelectuais dos autores e produtores. Deve ser proibida a utilização, sem prévia autorização, da propriedade intelectual de terceiros. [proibida? Na internet?]
Em última análise, também na rede mundial de internet deve valer o princípio: não há democracia sem jornalismo independente.
A propósito, a Declaração acima foi cortada e colada do site do Reinaldo Azevedo, que fazia clippings diários que não eram lidos por quase ninguém, visto que também não eram comentados... Ele deu-se conta que não era aquilo que seus leitores procuravam.