segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Ao pó votarás...

Em suas leituras matinais, o PoPa andou lendo sobre a quase certa reeleição de Evo. Vejam o que escreveu Chávez à respeito: "A Bolívia avança para sua descolonização definitiva", "Evo é um homem puro, cristalino".

O PoPa complementa: cristalino e branco. Já a pureza vai depender do refino posterior...

Imagem: Angelina, degustando um morango. Se a notícia é ruim, por que a imagem tem que ser também?

domingo, 6 de dezembro de 2009

Por que agora?

O PoPa já disse que não concorda com a tal Declaração de Hamburgo, mas que também não faz clipping usualmente. Mas o que está a seguir não é uma notícia, não custou nada para a Folha e é de interesse público. O PoPa sequer comentou o artigo inicial, por não ver tanta importância assim ao seu conteúdo. No entanto, este artigo mostra que aquele é importante. Tão importante que deveria estar no bolso de cada brasileiro, para lê-lo como oração, para ter presente na sua mente, o perigo que ronda nosso País. O que Cesar Benjamim escreve, sua constatação, é estarrecedor! E é algo que se estivesse em um romance de ficção, ninguém acreditaria. O tempo dirá se ele está com a razão.

Por que agora - Cesar Benjamim

DEIXO de lado os insultos e as versões fantasiosas sobre os “verdadeiros motivos” do meu artigo “Os Filhos do Brasil”. Creio, porém, que devo esclarecer uma indagação legítima: “por quê?”, ou, em forma um pouco expandida, “por que agora?”. A rigor, a resposta já está no artigo, mas de forma concisa. Eu a reitero: o motivo é o filme, o contexto que o cerca e o que ele sinaliza.

Há meses a Presidência da República acompanha e participa da produção desse filme, financiado por grandes empresas que mantém contratos com o governo federal.
Antes de finalizado, ele foi analisado por especialistas em marketing, que propuseram ajustes para torná-lo mais emotivo.

O timing do lançamento foi calculado para que ele gire pelo Brasil durante o ano eleitoral. Recursos oriundos do imposto sindical -ou seja, recolhidos por imposição do Estado- estão sendo mobilizados para comprar e distribuir gratuitamente milhares de ingressos. Reativam-se salas pelo interior do país e fala-se na montagem de cines volantes para percorrerem localidades que não têm esses espaços. O objetivo é que o filme seja visto por cerca de 5 milhões de pessoas, principalmente pobres.

Como se fosse pouco, prepara-se uma minissérie com o mesmo título para ser exibida em 2010 pela nossa maior rede de televisão que, como as demais, também recebe publicidade oficial. Desconheço que uma operação desse tipo e dessa abrangência tenha sido feita em qualquer época, em qualquer país, por qualquer governante. Ela sinaliza um salto de qualidade em um perigoso processo em curso: a concentração pessoal do poder, a calculada construção do culto à personalidade e a degradação da política em mitologia e espetáculo. Em outros contextos históricos isso deu em fascismo.

O presidente Lula sabe o que faz. Mais de uma vez declarou como ficou impressionado com o belo “Cinema Paradiso”, de Giuseppe Tornatore, que narra o impacto dos primeiros filmes na mente de uma criança. “O Filho do Brasil” será a primeira -e talvez a única- oportunidade de milhões de pessoas irem a um cinema. Elas não esquecerão.

Em quase oito anos de governo, o loteamento de cargos enfraqueceu o Estado. A generalização do fisiologismo demoliu o Congresso Nacional. Não existem mais partidos. A política ficou diminuída, alienada dos grandes temas nacionais. Nesse ambiente, o presidente determinou sozinho a candidata que deverá sucedê-lo, escolhendo uma pessoa que, se eleita, será porque ele quis. Intervém na sucessão em cada Estado, indicando, abençoando e vetando. Tudo isso porque é popular. Precisa, agora, do filme.

Embalado pelas pré-estreias, anunciou que “não há mais formadores de opinião no Brasil”. Compreendi que, doravante, ele reserva para si, com exclusividade, esse papel. Os generais não ambicionaram tanto poder. A acusação mais branda que tenho recebido é a de que mudei de lado. Porém os que me acusam estão preparando uma campanha milionária para o ano que vem, baseada em cabos eleitorais remunerados e financiada por grandes grupos econômicos. Em quase todos os Estados, estarão juntos com os esquemas mais retrógrados da política brasileira. E o conteúdo de sua pregação, como o filme mostra, estará centrado no endeusamento de um líder.

Não há nada de emancipatório nisso. Perpetuar-se no poder tornou-se mais importante do que construir uma nação. Quem, afinal, mudou de lado? Aos que viram no texto uma agressão, peço desculpas. Nunca tive essa intenção. Meu artigo trata, antes de tudo, de relações humanas e é, antes de tudo, uma denúncia do círculo vicioso da extrema pobreza e da violência que oprime um sem-número de filhos do Brasil. Pois o Brasil não tem só um filho.

Reitero: o que escrevi está além da política. Recuso-me a pensar o nosso país enquadrado pela lógica da disputa eleitoral entre PT e PSDB. Mas, se quiserem privilegiar uma leitura política, que também é legítima, vejam o texto como um alerta contra a banalização do culto à personalidade com os instrumentos de poder da República. O imaginário nacional não pode ser sequestrado por ninguém, muito menos por um governante.

Alguns amigos disseram-me que, com o artigo, cometi um ato de imolação. Se isso for verdadeiro, terá sido por uma boa causa.

A reação já se faz sentir em várias instâncias. Cesar é funcionário da TV Educativa do Paraná, atuando como comentarista. No Estadão, uma reportagem sobre isto: O governo do Estado [do Paraná] condenou a manifestação de Benjamin. "O governo manifesta forte indignação com o texto do funcionário da TV Educativa, considerando a publicação do artigo, ainda mais em um jornal claramente de oposição ao governo federal, uma atitude injustificada, absurda, fora de qualquer propósito, e parece que a serviço de uma determinada corrente político eleitoral", disse o secretário da Comunicação, Benedito Pires. [grifos do PoPa]

Repare que o secretário não questiona exatamente o conteúdo, mas o fato de ser funcionário da TV e publicar o artigo em jornal de oposição (a Folha???). Demonstra, claramente, como pensam os que controlam o Estado do Paraná. Outros virão, com certeza. É tarefa das mais importantes divulgar este artigo.

obs: o artigo foi copiado do site de Reinaldo Azevedo.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Religião e sociedade - a prova do Enem

Pois o PoPa não é de discutir religião, acreditando que é um assunto absolutamente pessoal. No entanto, quando as religiões inserem suas próprias leis dentro das leis da sociedade, aí o PoPa acha que alguma coisa está errada.

Hoje foi o dia da prova do Enem - aquela coisa que o governo inventou para fazer bobagens com ar científico. Aconteceu de uma jovem não fazer a prova, pois sua religião não permite nenhuma atividade antes do por do sol de sábado. Guardar os sábados, ela disse. No entanto, andou correndo de um lado para outro, buscando uma solução. Esta correria toda não fez ela romper o que diz a religião? Ela buscar "seus direitos" e alegar "intolerância religiosa" em uma entrevista não são ações proibidas por sua religião? Afinal, ela não guardou o sábado.

Apenas para pensar: religiões deveriam promover a paz, a tolerância e, principalmente, a convivência em sociedade, atendendo as regras e leis desta mesma sociedade.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

E Zelaya tá fora!

Contrariando a expressão máxima da tal "comunidade internacional", os hondurenhos resolveram que não vão aceitar a volta de Zelaya, mesmo que por um período de apenas um mês. Dos 128 deputados, apenas 14 acharam que Zelaya deveria voltar à presidência. 111 votaram para manter o meliante na embaixada brasileira...


Mas não foi o que pode se chamar simplesmente de decisão política. Os deputados ouviram os pareceres de várias entidades, todas contra a volta de Zelaya. Foram lidos os pareceres da Corte Suprema de Justiça, do Conselho Nacional de Direitos Humanos, da Procuradoria Geral da República e da Fiscalização Geral da República.

Aí está! A democracia hondurenha dando lições à América Latina. Quem sabe o temor maior dos bolivarianos e associados, uma onda libertadora, não comece por lá e estenda-se pelo continente?


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Ignorância e Desinformação

A manchete do El Heraldo, de Honduras, diz tudo. O corpo da notícia complementa:

Em declarações difundidas ontem (30/11) pela BBC, da Silva afirma que o reconhecimento do governo de Lobo Soza "está fora de cogitação".

"Não, não e não. Definitivamente não", enfatizou, diante da insistência de jornalistas que pergutavam se o Brasil reconheceria a legitimidade do novo governo, expressada de forma massiva e contundente nas urnas.
...

"Este cidadão (Lobo) tem o direito de fazer as gestões que acredite convenientes. Se houver novidade, vamos discutir o novo, mas por hora, a posição brasileira é de não aceitar o processo eleitoral em Honduras".

Suaves, os hondurenhos. Qualificam de desinformação uma atitude hostil de um governante que tripudiou a democracia deles durante tanto tempo, apoiou a tentativa de uma guerra civil e continua torcendo pelo pior. Sorte dos hondurenhos, que ele nada pode contra a vontade popular de lá.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O PoPa e a Declaração de Hamburgo

Na verdade, este é um assunto já bem batido, mas o PoPa não tinha dito nada sobre ele antes. E por que? Bem, em primeiro lugar, o PoPa nunca fez clipping direto ou poucas vezes fez o tal "corta e cola", sempre indicando a fonte.


Os tais agregadores de conteúdo citados na Declaração são, nada mais, nada menos, uma versão moderna dos velhos clippings xerografados que ainda circulam em praticamente todas as grandes empresas e todas as repartições públicas. Ou seja, enquanto estava somente entre os tais "formadores de opinião", tudo bem? Quando chega ao povo que tão somente tem a internet e não o acesso privilegiado das repartições, aí fica ruim?

Esta tal Declaração é muito sobre o politicamente correto. Que as empresas jornalísticas invistam pesado na mídia de internet, que terão espaços publicitários gordos e de grande retorno.

Blogs interessantes, dificilmente copiam integralmente as matérias jornalísticas. Por exemplo, sempre que o PoPa lê algo interessante em um blog que cite uma revista ou jornal, ele busca o link original, para saber detalhes da própria fonte. E, claro, está ao alcance da publicidade que lá se encontra. Talvez por isso mesmo, o PoPa não faz citações integrais, mas apenas das partes interessantes, com o devido link para seus parcos leitores poderem - se quiserem - ler a notícia original.

O PoPa não lê o conteúdo exclusivo dos assinantes da Folha. Aliás, acho que nem os assinantes, pois eles já estão lendo o tal conteúdo no papel... Mas até pagaria, desde que o valor fosse compatível com uma mídia que não tem custo de papel, impressão e distribuição. O que acontece atualmente, é que estas empresas querem valores praticamente iguais aos do jornal impresso... aí não tem negócio!

A DECLARAÇÃO DE HAMBURGO

A internet é uma grande oportunidade para o jornalismo profissional - mas apenas se se mantiver o equilíbrio econômico-financeiro das empresas jornalísticas nos novos canais de distribuição digitais. Não é o que acontece atualmente.

Vários agregadores de conteúdo utilizam obras de jornalistas, editores e empresas jornalísticas sem pagar por este uso. [sim, sempre o fizeram! Afinal, o que são os clippings que circulam até nas redações?] No longo prazo, esta prática põe em risco a criação de conteúdos de alta qualidade e o próprio jornalismo independente. [Por que?]

Por este motivo, precisamos melhorar a proteção da propriedade intelectual na internet. O acesso livre à web não significa necessariamente acesso livre de custos. Discordamos dos que afirmam que a liberdade de informação só será obtida com todos os conteúdos gratuitos. [Gratuitos? E a massa de publicidade que acompanham TODAS as páginas dos jornais? Gratuitos seriam se não houvessem estas publicidades...]

O acesso universal aos nossos serviços deverá estar disponível, mas não queremos ser obrigados a ceder a nossa propriedade sem autorização prévia.

Assim sendo, consideramos necessárias e urgentes medidas para a proteção dos direitos autorais de jornalistas, editores e empresas jornalísticas na internet.

Não devem existir zonas da internet onde as leis não se aplicam. Os governos e legisladores, em nível nacional e internacional, devem proteger mais eficazmente os conteúdos intelectuais dos autores e produtores. Deve ser proibida a utilização, sem prévia autorização, da propriedade intelectual de terceiros. [proibida? Na internet?]

Em última análise, também na rede mundial de internet deve valer o princípio: não há democracia sem jornalismo independente.

A propósito, a Declaração acima foi cortada e colada do site do Reinaldo Azevedo, que fazia clippings diários que não eram lidos por quase ninguém, visto que também não eram comentados... Ele deu-se conta que não era aquilo que seus leitores procuravam.

domingo, 22 de novembro de 2009

Ahmadinejad

O PoPa assistiu uma parte da entrevista que o amigo do cara deu à Rede Globo. O PoPa buscou leituras posteriores ao evento para saber se somente ele tinha visto algo estranho na entrevista. Com olhar meio perdido, Ahmadinejad respondia por frases, com pausas enormes, como se ouvisse o que deveria dizer e repetisse, pausadamente. Não importava sobre qual assunto ele estava falando, as pausas eram as mesmas e a expressão [ou a falta dela] também.

Seria normal a espera pela tradução no início da resposta, mas não ao longo da mesma. Estranho... estaria ele somente repetindo o que alguém no ponto eletrônico estava dizendo? O cara, pelo menos, é autêntico...

Laguardia e os selos para o PoPa

O PoPa recebeu dois selos do Laguardia (Brasil - Liberdade e Democracia) e foi lá fazer sua pesquisa de praxe. O selo "Este Blog é D+" foi fácil de seguir, pois tem o endereço da criadora na própria imagem do selo. Ela coloca a seguinte mensagem na criação do selo:

Este selo é para todos os Blogs que eu sigo e também para os que me seguem. A regra é repassá-lo à 2 Blogs ou mais e responder à seguinte pergunta: "O que seria necessário fazer ou mudar, para vivermos num mundo melhor?"
Um grande abraço à todos.
Good luck!

O blog pertence a uma jovem mineira, de 35 anos, que saracoteia pela web, distribuindo boa vontade, alegria, gentilezas e poesias. Um bom lugar para se ir, quando as coisas parecem estar sombrias, quando ler os blogs mais realistas torna-se angustioso. Talvez, quando ela criou o selo, não tivesse a intenção de que blogs como o do PoPa ostentassem sua criação.

O endereço: http://saracotear.blogspot.com/

O outro selo foi criado por Sandra Andrade e seu blog é tão otimista e carinhoso, que chega a ser quase ofensivo para um velho como o PoPa, que não consegue ver tanta coisa boa assim, pela volta. Mas é um recanto colorido e mimoso. Com certeza, Sandra gostaria do PoPa (ela parece gostar de todo mundo), mas não do que ele pensa. http://sandraandrade8.blogspot.com/ Curiosa, sempre aprendendo (visite o site! Pode salvar teu dia).

O PoPa agradece a Laguardia pela distinção e, mais uma vez, pede desculpas por romper a corrente.

sábado, 21 de novembro de 2009

Battisti, Genro: "No estradizione, Italia fascista"

Nos jornais italianos, uma interessante declaração do Presidente do Senado italiano, Maurizio Gasparri: A amizade da Itália para o Brasil é tal que podemos ignorar mais uma vez a patetice dita pelo Sr. Genro (L’amicizia dell’Italia per il Brasile è comunque tale che riusciremo ad ignorare ancora una volta le panzane dette dal signor Genro).

Enquanto isso, o cara está esperando para dar sua posição final, já que o Supremo ficou em cima do muro. O PoPa acredita que, qualquer que seja a decisão, o cara vai sair por cima, intocável. Este é o Brasil do século XXI.

Imagem e título do post: Ilgiornale.it

Selos e amizades

A internet é interessante e instigante. O PoPa tem algumas manias, adquiridas ao longo do tempo e - talvez - consequência da idade avançada... Selos e homenagens, por exemplo. O PoPa é um rompedor de correntes, mas tem a mania de buscar as origens das homenagens e dos selos. Este aqui, recebido com muita satisfação de Gilmar Moschem, é um interessante exemplo. Em seu início, ele circulou entre blogs cristãos, passou por alguns kadecistas e, finalmente, caiu em um blog ateu. Talvez não tenha sido esta a idéia inicial, mas nada mais coerente que isto! Afinal, amizades são importantes para todos os seres humanos, mesmo para os ateus.

O PoPa agradece muito, Gilmar e desculpa-se por romper a corrente, embora saiba que os demais não farão tamanha afronta!

Imagem: do site http://www.bangonthedoor.com/ outra interessante descoberta, provocada pelo recebimento do selo.